EXPLOSÃO No exato instante O espaço-espanto Da palavra extinta E a boca ainda aberta, Do estrondo consumado E o ar já recomposto, Inteiro, todo, No ex-ato instante. No risco claro do sol Sobre o quartzo semblante O azul limpo que salta Dessa encosta de xisto E envolve o mundo no silêncio estendido Para além Do derradeiro segundo Quando a sentinela, Muda, no alto, Divide com o seu passo O silêncio das moles E vela sobre a extensão da paz Em que estão se fazendo Corpos, sonhos, milênios, Neste instante exato.
