Barragem da Vael em Ouro Preto. Crédito: Reprodução internet
Minas Gerais voltou a viver momentos de apreensão na madrugada do último domingo, 25 de janeiro, após o extravasamento de uma estrutura operacional da Vale, na Mina de Fábrica, localizada entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto. O episódio ocorreu justamente na data que marca sete anos da tragédia de Brumadinho, o que intensificou o impacto emocional do ocorrido sobre a população local.
De acordo com informações apuradas por órgãos de fiscalização, cerca de 220 mil metros cúbicos de água misturada a sedimentos escoaram da área da mina, atingindo instalações industriais da CSN e avançando sobre cursos d’água da região. Registros em vídeo feitos por trabalhadores e moradores mostram a força do material carregado pela enxurrada, que invadiu áreas administrativas e operacionais.
Apesar da gravidade das imagens e da rápida mobilização da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, a mineradora só se manifestou horas depois. Em comunicado oficial, a Vale afirmou que não houve rompimento de barragens, classificando o episódio como um extravasamento oriundo de uma cava de mineração, e declarou que não há registro de comunidades atingidas.
Data simbólica amplia tensão
A ocorrência no mesmo dia do aniversário do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, elevou o nível de preocupação entre moradores e autoridades. Para a população mineira, ainda marcada pelas tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), a explicação técnica não foi suficiente para conter o temor diante de mais um episódio envolvendo lama e mineração.
Especialistas destacam que, independentemente da classificação estrutural, os impactos ambientais e sociais começam no momento em que sedimentos atingem o solo e os corpos hídricos, especialmente em regiões que dependem desses recursos para abastecimento e equilíbrio ecológico.
Impactos ambientais sob monitoramento
Vistorias realizadas ao longo do domingo por equipes da Defesa Civil, da Secretaria de Meio Ambiente e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas confirmaram alteração significativa na turbidez do Córrego Goiabeiras, afluente do Rio Maranhão. O curso d’água é estratégico para a região de Congonhas, o que levou ao reforço do monitoramento da qualidade da água.
Também foram identificados pontos de assoreamento, danos à vegetação e soterramento de áreas próximas às margens dos córregos, incluindo trechos classificados como áreas de preservação permanente. Técnicos avaliam ainda a composição dos sedimentos para verificar a presença de metais ou outros contaminantes.
Comunicação em xeque
A condução da comunicação por parte da mineradora é alvo de críticas. Para moradores e lideranças locais, a demora em esclarecer o ocorrido reacendeu sentimentos de insegurança e desconfiança. Embora o Governo de Minas informe que a situação está sob controle, o episódio reforça o debate sobre transparência, prevenção e gestão de riscos em regiões historicamente impactadas pela mineração.
Enquanto as investigações seguem em andamento, comunidades da região acompanham com cautela os desdobramentos, temendo que episódios como este voltem a se repetir em um estado que ainda convive com as consequências de tragédias passadas.
