Compositor de sucesso Marcos Alcântara

 

Quando eu tinha 14 anos de idade, tudo para mim eram flores, como em um lindo campo de rosas coloridas, que deslumbrava um elo perdido, intenso de descobertas. E eu sendo apenas um observador. Calado, frio em textos e melodias, no meu quarto em preto e branco.

As pessoas próximas sempre pensaram em mim buscando traçar o perfil de um jovem que fosse super, meiga, hiperinteligente, bonito, elegante e educado — conforme seu modo de pensar sobre as coisas. Até seus desejos eram projetados sobre mim. Porém não foram realizados. O pior é que essas pessoas acreditam que é possível incorporar, induzir para outras pessoas seus ideais.

Censura!!!

No contexto de autoquestionamento, eu perguntava sempre para mim mesmo: cadê o meu direito de construir minha própria identidade?

Sempre escutei todos dizendo:

— Menino! Você está muito à toa. Este seu violão e estas roupas não vão levar você a lugar algum!

 

— Meu filho, eu não te quero limpando ruas…

(Primeiramente, eu não concordo, de maneira alguma, com as comparações que as pessoas faziam, envolvendo profissões, roupas etc.)

Um dia, participei de um processo de seleção para fazer coisas que ocupassem o meu tempo. Na verdade, não me perguntaram sobre o que eu queria. E me colocaram em um processo ideal para o meu desenvolvimento, em etapas. O objetivo estabelecido, contudo, não era o meu sonho, e sim, o do meu pai, da minha mãe e do velho gordo sentado na cadeira de instrutor.

 

Colocaram-me, obrigaram-me, não havia como desistir ou não fazer aquelas coisas. A necessidade e a projeção familiar, meus caros, foi maior do que o meu sonho.

Fiz tudo que mandaram, mas não valeu a pena. Dei de cara com aporta fechada. Putz.

 

Respirei fundo e pensei: Onde estará o mundo que me venderam?

 

É, não encontrei o mundo dos sonhos do planejamento feito por eles para mim.

 

Só queria ficar no meu quarto, com meu violão e um pedaço de papel, escrevendo as minhas composições. Mas meus gritos em busca de atenção para as minhas habilidades não eram escutados.

 

Apanhei, fui expulso da escola e muitos ficaram com raiva de mim, mas o que eu queria era apenas ficar à toa, no meu quarto.

Mais um livro de autor itabirano

 

“Um minuto de atenção por favor” foi lançado em Itabira no dia 20 de Maio pelo escritor Marcos Alcântara que busca trazer provocações sobre o cotidiano.Em seu primeiro livro de contos, o autor procura mostrar a urgência da sensibilidade nas relações e a necessidade de cada um de nós dentro das rotinas do cotidiano.

Pela editora Viseu, a obra foi lançada na Livraria Clube da Leitura, na sede da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, histórias de um cotidiano comum e que precisam ser vistas e faladas.

Preconceitos, dores e amores de personagens que poderiam ser eu, você ou qualquer leitor que ouse seguir a vida no interior.

Essa é a proposta do livro disponível para aquisição na Livraria Clube da Leitura, na sede da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, em Itabira-MG, ou na Editora Viseu.