Irã aprova fechamento do Estreito de Ormuz após ofensiva dos EUA

Teerã, 22 de junho de 2025 – O Parlamento iraniano aprovou neste domingo (22) uma resolução que recomenda o fechamento imediato do Estreito de Hormuz — uma das vias marítimas mais estratégicas do mundo — em retaliação à operação militar americana contra instalações nucleares iranianas. A decisão agora aguarda o aval do Conselho Supremo de Segurança Nacional e sancionamento final do aiatolá Ali Khamenei.

Por que Ormuz é tão importante?

O estreito, com cerca de 33 km em sua parte mais estreita, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia. A estimativa é que por ele transitem até 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito — cerca de 17,8 a 20,8 milhões de barris por dia.

Origem do conflito atual

1. Escalada entre Irã e Israel

Em meados de junho de 2025, Israel lançou uma série de ataques aéreos contra instalações militares e nucleares iranianas, em especial, em Fordow, Natanz e Isfahan — parte do que Israel descreveu como uma “ofensiva preventiva”.

2. Entrada militar dos EUA

A escalada continuou com uma ofensiva dos Estados Unidos, batizada “Operação Midnight Hammer”, na qual bombardeiros furtivos B‑2 atacaram instalações nucleares iranianas neste mesmo domingo.

3. Retaliação parlamentar

O Parlamento iraniano, liderado pelo general Esmail Kosari — comandante da Guarda Revolucionária e membro da comissão de Segurança — viu nos ataques americanos uma ameaça direta. Em resposta, aprovou o fechamento do estreito, deliberando que essa seria uma “opção legítima” e “em agenda”.

Impactos imediatos

  • Preço do petróleo: Analistas preveem que uma interrupção no tráfego possa elevar o Brent para US$ 120–150 por barril  O risco de choque inflacionário global preocupa mercados e bancos centrais.

  • Economia iraniana: Embora seja uma medida punitiva contra o Ocidente, o bloqueio pode prejudicar o próprio Irã, uma vez que sua economia depende das exportações via mar.

  • Repercussão global: Países como China, India e Japão, altamente dependentes do petróleo do Golfo, pressionam diplomaticamente para que o fluxo se mantenha — os EUA chegaram a pedir publicamente que a China interceda junto a Teerã.

  • Legalidade internacional: O direito marítimo internacional garante liberdade de navegação civil, o que pode limitar medidas extremas de bloqueio — a Irmandade tem poder militar, mas restringe fechamentos formais do estreito .

Contexto histórico

O Estreito de Hormuz já foi palco de tensões militares e políticas desde 2011 e 2018, sempre com ameaças iranianas que jamais se concretizaram. Incidentes como apreensão de navios e implantação de minas foram formas de pressão alternadas com retórica diplomática e sanções .

Além disso, depois das sanções de 2018 e retirada dos EUA do acordo nuclear, o Irã diversificou sua rota de exportação com o oleoduto de Goreh a Jask (1.000 km), criando uma via alternativa que contorna parcialmente o estreito.


O que esperar a seguir

  1. Decisão final: O fechamento dependerá agora da avaliação do Conselho Supremo de Segurança — órgão que inclui autoridades militares, religiosas e o presidente iraniano.

  2. Reação global: A comunidade internacional, especialmente China e grandes produtores do Golfo, deverá pressionar para evitar um impacto econômico desastroso.

  3. Cenário militar: Se o bloqueio for posto em prática, navios de guerra e minelayers iranianos podem tornar o trânsito perigoso, forçando drásticas escoltas ou rotas alternativas — repercutindo em preços, seguros e comércio marítimo.

Essa decisão parlamentar marca uma escalada significativa na tensão entre Teerã e Washington, com repercussões que podem abalar o mercado energético global e complicar ainda mais um cenário já instável no Oriente Médio.