Mobilização da sociedade civil pede preservação integral da área e rejeita o “Projeto Apolo – Novo Conceito”

Foto: Paulo Baptista
Minas Gerais, 8 de maio de 2025 – Um novo movimento popular está ganhando força em defesa da Serra do Gandarela, uma das regiões mais ricas em biodiversidade e recursos hídricos do Brasil, localizada no coração do Quadrilátero Ferrífero-Aquífero, em Minas Gerais. Ativistas, ambientalistas e cidadãos de todo o país estão se mobilizando contra o avanço do chamado “Projeto Apolo – Novo Conceito”, da mineradora Vale S.A., que pretende instalar um megaempreendimento minerário na área.
Com o lema “SIM à Serra do Gandarela e ao Parque Nacional. NÃO ao Projeto Apolo”, o abaixo-assinado virtual já coleciona milhares de assinaturas. A meta atual é alcançar 70 mil apoios, num esforço conjunto para impedir o que é apontado como um dos maiores retrocessos ambientais na região.
A Serra do Gandarela, que abrange os municípios de Caeté, Santa Bárbara, Raposos e Rio Acima, é considerada essencial para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte, por conter nascentes e aquíferos estratégicos que alimentam os rios das Velhas (bacia do São Francisco) e Piracicaba (bacia do Doce). Em 2014, parte da serra foi protegida com a criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela, fruto de uma intensa mobilização popular iniciada em 2009. No entanto, áreas de maior relevância hídrica e ambiental ficaram de fora dos limites do parque – justamente as que agora estão na mira da mineração.
O projeto da Vale prevê a instalação de uma mina com cava de 7 quilômetros, rebaixamento do lençol freático em 200 metros, construção de duas pilhas de rejeitos gigantes, ramal e pêra ferroviária, entre outras estruturas. Os impactos ambientais esperados são devastadores: destruição de cangas ferruginosas, nascentes e cachoeiras; comprometimento de aquíferos; perda de cavernas e sítios arqueológicos, além da supressão de grandes áreas de Mata Atlântica e Cerrado, que abrigam espécies ameaçadas.
As consequências sociais para comunidades do entorno também preocupam: aumento da violência, do tráfico, da prostituição, impactos à saúde com poeira e ruído, e dano ao turismo ecológico, uma das alternativas sustentáveis de geração de renda local.
O abaixo-assinado ressalta que o empreendimento da Vale contraria os princípios da conservação ambiental e do desenvolvimento sustentável, ao colocar em risco um patrimônio natural que deveria ser protegido para as futuras gerações. “Assinar esse manifesto é um ato de defesa da vida, da água e da dignidade das populações locais”, afirma o texto da campanha.
A iniciativa é acompanhada por fotos e testemunhos de moradores, pesquisadores e defensores ambientais, como o registro da Serra do Gandarela vista do Ribeirão da Prata, feito pelo fotógrafo Paulo Baptista, símbolo da beleza e fragilidade da região.
Os organizadores reforçam que a pressão popular é fundamental neste momento para frear o avanço do projeto e garantir a expansão da proteção legal da Serra do Gandarela. “Ainda há tempo de impedir essa destruição. A natureza pede socorro e a sociedade responde com luta.”
